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14/7/2010
Indústria química precisará investir US$ 199 bi até 2020.. ( DCI )
Clipping Sindusfarma

Jornalista: MAURÍCIO GODOI

14/07/2010 - SÃO PAULO - A indústria química nacional precisará investir US$ 199 bilhões nos próximos 10 anos para atender ao crescimento da demanda interna e reverter o déficit comercial brasileiro, que este ano deverá ultrapassar US$ 25 bilhões. Esta é a previsão da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) que apresentou o Pacto da Indústria Química ao BNDES e ao governo e em que pede incentivos a sustentar a previsão de aportes e evitar o aumento do saldo negativo na balança comercial do setor que pode chegar a US$ 37 bilhões se o crescimento médio do País for de 4% ao ano até 2020.

No documento, a entidade defende que o governo federal adote medidas que protejam o setor para que as empresas possam investir na expansão da produção local.

Dentre os pontos estão a simplificação da tributação na cadeia produtiva, acesso a matéria-prima e energia mais baratas, mais investimentos em infraestrutura e logística, mais ação na defesa do mercado interno contra as importações, apoio à inovação e à tecnologia e apoio do BNDES à modernização do parque produtivo e crédito a pequenas e médias empresas.

Segundo Bernardo Gradin, presidente da Braskem, e presidente também do Conselho Diretor da Abiquim, o setor precisa se reposicionar quanto a investimentos para que não se tornem um empecilho ao crescimento sustentável do Brasil, pois trata-se de uma indústria de base que responde por cerca de 18% do Produto Interno Bruto (PIB) do País ao chegar a outras cadeias produtivas.

"Para que a indústria continue a investir ela precisa de um novo modelo que inclui o acesso a matéria-prima e energia mais baratas e simplificação dos tributos", reforçou Gradin. "Acho difícil conseguir o objetivo de recuperação do déficit do setor sem esses incentivos, pois a indústria química depende de investimentos de longo prazo", destacou ele.

Para João Zuñeda, da MaxiQuim, esse déficit da balança comercial do setor químico é estrutural e tem como pilares os altos custos dos insumos e a falta de investimentos em tecnologia e em expansão da produção. Na opinião dele, este é o resultado de décadas de atraso do setor, que deverá levar até 20 anos para reverter essa situação.

Desequilíbrio

Depois de registrar um recuo no déficit comercial de 2009 em comparação a 2008, a expectativa do setor é de retomada do aumento das importações. De acordo com Gradin, este ano o saldo negativo na balança comercial da indústria química deverá bater o recorde histórico. Na previsão da Abiquim, o valor deverá alcançar US$ 25 bilhões. Gradin argumenta que esse aumento gera inflação e desequilíbrio econômico estrutural em função da base industrial que o setor atende com seus produtos. Essa situação, segundo ele, é consequência da falta de investimentos em expansão que ocorre no País há pelo menos 10 anos.Marcelo Lacerda, CEO da subsidiária brasileira da alemã Lanxess, também espera um aumento do déficit comercial. Ele utiliza como exemplo os números do setor registrados em maio: somente naquele mês o Brasil importou US$ 2,6 bilhões, um valor 11,8% acima do registrado no mês anterior. "Se pegarmos o acumulado de janeiro a maio deste ano ante o mesmo intervalo de 2009, o valor das importações está 40% mais elevado", comentou ele.Na opinião de Lacerda, a base do problema está na retenção dos lucros das empresas, que no Brasil é cinco vezes mais elevado que na média do exterior em função dos impostos. Ele explica que o baixo nível de investimentos na indústria química é resultado desse fator aliado ao baixo índice de desenvolvimento do mercado de capitais no País. "Como o setor precisa de altos investimentos para a expansão da produção e temos lucro menor, não há espaço para que as empresas invistam em expansão do ritmo de crescimento da demanda e com isso a importação ganha espaço", completou o executivo.

Para Lacerda, a exceção do setor químico em termos de investimentos está nas resinas termoplásticas. Segundo ele, afora as plantas de polipropileno, polietileno e outras, o País tem baixo nível de investimento.

Apesar deste cenário, o CEO da Lanxess ressaltou que a estratégia global da empresa é manter investimentos nos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) por meio de investimentos ou aquisições e utilizou como exemplos a expansão da planta de pigmentos em Porto Feliz (SP) e a compra da Petroflex em 2008. No caso da Braskem, Gradin reforçou o comprometimento da empresa em continuar os investimentos, principalmente no plástico verde, cuja primeira fábrica deverá entrar em operação neste trimestre.



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As matérias colocadas nesta sessão são oriundas de clippings de jornais e releases de outras instituições e não representam necessariamente a posição da ABRASP.


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